Consciência Histórica Genética

A consciência histórica genética, apesar do nome, não tem nada a ver com genética do ponto de vista da biologia.  Ao contrário: é a perspectiva histórica que se almeja tanto na escrita como no ensino de história. Valoriza a DIVERSIDADE, a histórica como PROCESSO, a MULTIPERSPECTIVIDADE.  A MULTIPERSPECTIVIDADE implica em COMPREENSÃO do Outro. Contudo, para Rüsen o Peter Lee (outro teórico, mas da Educação Histórica), compreender não quer dizer ACEITAR.  Rüsen questiona: todas as perspectivas são válidas? Teria algum VALOR UNVIERSAL  que regulasse o que posso aceitar ou não, em termos de outras culturas e outras escritas da história? Este questionamento, o próprio ato de questionar já implica na CONSCIÊNCIA HISTÓRICA GENÉTICA. A consciência histórica genética é o mesmo que pensamento sistêmico ou complexo. Se você escolheu este tipo de consciência, considerou que o passado não pode ser desprezado, mas que tem que agir conforme os códigos culturais do presente, construídos no PROCESSO HISTÓRICO  de sua sociedade, RESPEITANDO o OUTRO. Portanto, relacionou PASSADO e PRESENTE, MUDANÇAS  e PERMANÊNCIAS. 

Rüsen trabalha com o conceito de DIVERSIDADE dentro da UNIDADE. Este tipo de pensamento NÃO É CONTRADITÓRIO, é um pensamento SISTÊMICO  ou COMPLEXO em que NÃO EXISTE DICOTOMIA ou DUALISMO, mas um MOVIMENTO TENSIONAL E RECURSIVO, que não descarta uma coisa a favor da outra.
Outros que trabalham na mesma perspectiva: Boaventura de Souza Santos; Edgar Morin; Roger Chartier; Durval albuquerque Junior.

Tabela das Consciências

EXPERIÊNCIA DO TEMPO    Transformação dos modelos culturais e de vida alheios em outros próprios e aceitáveis

FORMAS DE SIGNIFICAÇÃO HISTÓRICA    DesenvolvImento nos quais os modelos culturais e de vida mudam para manter sua permanência

ORIENTAÇÃO DA VIDA EXTERIOR    Aceitação de distintos pontos de vista em uma perspectiva abrangente do desenvolvimento comum

ORIENTAÇÃO DA VIDA INTERIOR    Mudança e transformação dos conceitos próprios como condições necessárias para a permanência e a autoconfiança. Equilíbrio de papéis.

RELAÇÃO COM OS VALORES MORAIS    Temporalização da moralidade. As possibilidades de um desenvolvimento posterior se convertem em uma condição de moralidade

RELAÇÃO COM O RACIOCÍNIO MORAL    A mudança temporal se converte em um elemento decisivo para a validade dos valores morais

Há DIVERSIDADE (etnias, religiões, gênero, classes, gerações, nacionalidades, etc.) na UNIDADE (somos todos seres humanos e tanto a DIGNIDADE HUMANA dos Outros como a minha devem ser consideradas/respeitadas)
Existem DIFERENÇAS e SEMELHANÇAS, PERMANÊNCIAS e MUDANÇAS, considerando a TEMPORALIDADE e/ou o ESPAÇO das sociedades. História é um PROCESSO.